segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Desilusão

Eu o vi abrir os olhos, levantar da cama
Com um sorriso no rosto, apesar do medo
Seu coração transbordava esperança
Mente tão jovem, ainda era cedo

Eu o acompanhei até a porta
Não precisei falar nada, ele sabia
Cabeça erguida, armadura vestida
Não se preocupe – ele dizia

Eu o assisti pela janela, até o longe
Passos de ferro, olhar confiante
Fitei o relógio, orei à vida
Que com ele cruzasse alguma justiça

A noite e ele chegaram em sintonia
E rasgando na chuva seus passos de papel
Me chorou as decepções, as mentiras
E a dor que sentia em enfrentar o céu

Ele perguntava o por quê desse vazio
E falava da dificuldade de manter a alma sã
Eu dizia – Agora você chora a vida,
Mas ela seca seu choro pela manhã

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