quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Tô bem

Tô bem, só bem e nada menos
De costas para a chuva
Que palavras já secaram
Um abraço para a dor
Que reticências eternizaram
E o blues, tão azul
Esverdeou faz tempo
Bem, bem
Nada mais e nada menos

Tô bem, nada muito além
E poesia e fantasia e o amor alienado
Se atropelam na fobia de um samba arritmado
Inconstantes e prepotentes me esperam lá na frente
Por agora maré calma, clima ameno e sol poente
Fresco, obrigado
Nem muito frio
Nem muito quente

Tô bem no meio-termo
Sem mais termos pra gastar
Cem dias, cem brisas
Sem luas pra poetizar
E a razão do meu sumiço
Tô bem, só isso

Nem muito lá
Nem muito cá

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Assintonia

tenho alguém e sou sozinho
me isolo e quero ninho
sinto a dor do amor em demasia
e de tanto amor, por fim
anestesia

por dentro vejo cachoeira
tua platéia me vê gota
que canta uma verdade
que toca em disritmia
que do real, e do seria
por fim nasce
fantasia

tenho pouco e faço tanto
do tanto meu fico com nada
nada preenche, alma vazia
transbordando horas passadas

de um cálculo impensado
que resultou no que queria
de um desenho mal acabado
que se pintou em euforia

nossa musica em silêncio
cantou alto, luz do dia
completando, por fim
luz da lua
assintonia

quinta-feira, 24 de março de 2011

Dilema ignorante

eu sei de muita coisa
e preferia não saber
ai, que inveja
mentes pequenas
cabeças vazias
pastéis de vento

eu sinto muita coisa
que preferia não sentir
ai, que castigo ser vivo
ai, castigo maior
não existir

vou é vender meu televisor
pra descansar de tanta dor
vou pagar pra não vir
aquele moço entregador

vou parar de ler
vou ver se também paro
de poetizar minha alma
vamos ver se sinto menos
se na ignorância tenho calma

ai, que saudade de querer
ai, que saudade de não ter

inteligente hoje em dia
é se misturar na multidão
e o sábio do novo século
saber ser cego por opção

ai, me vê uma venda da moda
uma daquelas bem bonitas
ai, me tampa a visão
me deixa dançar naquela pista

ai, que saudade de não saber
o que é
ser feliz

quarta-feira, 23 de março de 2011

Apesar do apesar

Apesar de você, amanhã há de ter sol
Cantando suave debaixo das cortinas
Avançando aos poucos os cantos das esquinas
Fazendo pouco caso da vida, e sua ironia
Apesar de você, há de ter um novo dia

Há de ter a moça, há também aquele rapaz
Há de ter amor, outros tantos belos casais
Aquele cachorro, o sorvete, a criança
Brisa, pássaro, a flor, sua dança
Aquele motivo de todo entardecer
Apesar de você, amanhã há de ser

Há de ser sereno, serenata, serei tua
Serei de outras noites, sereia da meia-lua
Seria fogo aceso, seria carne nua
Seria ainda será, talvez na outra rua
Apesar do apesar, uivam ainda mentes sãs
Se não hoje, amanhã, ou depois
dos amanhãs

Meu dia tão calmo, apesar da tua chuva
No telhado tão falho, goteira oportuna
Pinga no corpo, no meu copo, nossa saudade
Começa de manso e termina tempestade

Atrás das tuas nuvens, meus raios de verdade
Apesar da tua enchente, ontem há de ser tarde
Apesar do nosso tempo, com o tempo há de ser pó
Há de ser poeira que segue por si só
E amanhece outra vez - sorrio, surpresa
Se ontem, mesa vazia
Hoje há de ser sobremesa

terça-feira, 22 de março de 2011

Bem-te-vi

Bem-te-vi, bem te vejo
Parado assim
cantando assim
jeitoso assim

Assintomático
Assim me tomas
Ao fim de tarde
Afim de mim

Bem-te-vi, bem te quero
E todas as minhas pétalas
Jogadas ao vento
Bem hão de te querer

Bem-te-vi, mal te vejo ir
Já bem te espero
O tempo há de trazer meu bem
de volta, aqui

Bem-te-vi no rio, no mar
Bem te vi no meu jardim
Bem-te-vi, bem me faz
Nesse som que bem em mim
bem assim

A culpa é de Ninguém

A culpa não pertence à palavra
Que fingia me chamar, que puxou
E que me levou pro alto, soprou
E nem ao menos me sabia
Não, a culpa não é
de quem escrevia

O sentimento não é o culpado
Na inocência, me fez amarrado
Ao desconhecido - Querido amigo
E nesse nó me roubou a visão
Não, a culpa não é
de quem sente, não

E não pense em culpar o tempo
Remédio amigo, eu nem tento
No seu ponteiro eu me sento
e assisto de camarote
a culpa passear na consciência
de quem pode - Até
Não terem mais
quem culpar

Até que penso em culpar o Eu
Eu que erra, Eu que mente
Tudo é mais fácil culpando a Gente
Eu que sempre quer sentir
um pouco mais além... Quem sabe
A culpa é Minha, quem sabe
a culpa é de Ninguém

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sobre a liberdade indesejada

Veja bem, que me perdoe o silêncio
E ausência, falta de paciência
E até minha presença – que valor
Já não possui mais

Não lembre a minha falta
Seja de sucesso, de utilidade
A falta de vontade – não adianta
Já não ligo mais

Veja bem, eu estava mantido
Quem sabe até bem protegido
Dentro dessa cadeia de palavras
E dela resolvi me libertar – grande erro
Já não consigo voltar

Agora que sou livre, não sei mais
Com palavras eu sempre fui capaz
Agora que sou ação, não sei mais
Ninguém sabe, aliás

Veja bem, me perdoe por ser livre
E me algeme com palavras, se for preciso
Prefiro voltar à velha prisão
Do que ser solto, mudo – e indeciso

sábado, 15 de maio de 2010

Não sei

Eu não sei por onde começar
É que hoje eu quero me explicar
E entender ao mesmo tempo
Não sei...

Eu não sei quais palavras usar
É que dói poetizar a verdade
E a razão da minha insanidade
Não sei...

Eu não sei se é o mesmo com você
Eu só tenho visto o que quero ver
O resto minha alma mastiga
E por alí mesmo vai ficar
Não sei...

Não sei se estou sendo sábio
Ou só mais um desentendido
Bem mais fácil fechar os olhos
E abrir um belo sorriso

Não sei se você sabe, não sei
Mas a verdade é que somos cegos
Felizmente bem cobertos
Pela cortina que não deixa ver
Eu sei... E sabendo prefiro fingir
Não saber

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sobre todas as minhas noites

Me sorri um sorriso pálido
Me conta contos tão calmos
E me canta num silêncio
que ninguém entenderia

Me sussurra num sopro gelado
Como é a vida dos que vivem ao lado
E com a paciência de toda uma noite
Me acompanha ao chorar o meu dia

Me encara com seus olhos fechados
E me abraça com sua pele escura
Veja bem, solidão me deixou de lado
Desde então tenho eu,
Minha janela
E a Lua

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Contra-Mão

E eu, que sempre fui de ouvir, te calo
De palavras basta minha mala cheia
E meu coração carregado

Minhas ilusões de ontem, ficaram pra trás
E eu já não sei se sou capaz
De pensar menos
E sentir mais

Mas não me preocupo, não afunda
Casa de lágrima nunca inunda
As de ontem secaram
Amanhã molha mais

E eu, que sempre fui de seguir, me paro
Vejo o que não entendo, sequer tento
Assisto o mundo indo em oposição
Ele Com-O-Vento
Eu, Contra-São

Ele na estante
Eu, Contrastante

Ele Com-O-Tempo
Eu, Contra-mão

segunda-feira, 22 de março de 2010

E eu vou atrás

Hoje eu ando com as pernas do tempo
E na minha alma vive o momento
Demorou, mas percebi
A vida segue,
e eu vou atrás

O sol e a lua me têm como amigo
O ponteiro do relógio é um livro já lido
Essa brisa tomei como bússola, e mais
A vida segue
E eu vou atrás

Você me pergunta sobre meu futuro
E eu te respondo – que diferença faz?
Se até nosso amanhã vai ser ontem um dia
É que a vida segue
E eu vou atrás

quarta-feira, 17 de março de 2010

Bem feito

Espero que me perdoem a falta de verdade
Já foi-se meu tempo de escrever com o coração
E com esse tempo foi-se também
Minha espontaneidade
Rápido assim

Espero que perceba em mim sua própria verdade
Ou que meu cinismo passe despercebido
Veja bem, me convém sempre escrever
Mas nada do que eu escrevo faz sentido
Não pra mim

Espero poetizar sua dose certa de mentiras
Sua dose diária de palavras bonitas
Sorte sua, meu amigo, quanta sorte
Me iludi tanto, que agora não faz efeito
Bem feito

Se a sua esperança é a ultima que morre...
A minha morreu de overdose
Bem feito

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Frágil

Sorri de açúcar – veio a chuva
Dancei de papel – surgiu o fogo
Sonhei de momento – passou o tempo
Rimei de areia – bateu o vento
E mb ar a lha n do
M i nha
R a z
ã
o
.
.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Choro do inútil

Tem tanta coisa
que eu quero
Da Vida...
Mas acho que a Vida
Não quer nada
de mim

Tem tanta gente
que acha que sabe
sobre a Vida
Enquanto a Vida brinca
com sua ignorância
sem fim

E se eu chorei ontem
Hoje não tinha nada
Vida, malvada
Devolve minha lágrima
Usada – Preciso dela
Mesmo assim

É que tem tanta coisa que
eu quero da vida, mas
ela não quer nada
Nada, nada
De mim

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Viu só

Viu só, que fim eu tive
O mundo corrompeu minha mente
Que achou que feliz era ser livre

Viu só, confiei demais
Dei a mão pra quem tem mão suja
Dei quem eu era pra quem sempre quer mais

Ouve só esse meu riso
É riso de quem ri desesperado
É riso do rei que teve curto seu reinado

Ouve só, não é dificil notar
Que esse meu riso é riso que ri
Tentando não chorar

Olha só, vou ficar no fundo mais um dia
Ver lá em cima a vida passar em grande folia
Vestindo mentiras, brindando fantasias

Veja bem, agora eu tenho mais razão
Inevitável é fugir dos buracos
Que a vida deixa no chão

Eu caí, você cairá...
Te guardo um lugar
Sempre cabe mais um

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Vida e suas ironias

Demorei uns anos pra perceber a ironia da vida
Sempre me empurrando, se fazendo inimiga
Me estendendo a mão, muito sabida
De que eu era inocente, e essa confusão
Viraria piada – E lição –
Em minha mente

Descobri que minha mente mentia pro coração
Fingia sanidade, até uma certa felicidade
E sem ser verdade, fingia ter sua razão
Isso fazia meu coração bater atento
E mentira branca – Esperança –
Viraria realidade com o tempo

Até que percebi... Falso sábio esse tempo era
Levava minhas horas com a primavera,
E como melodia me fez levar a vida,
Passiva, sofrida.. Me ergi, de repente
E lá estava eu – com meu eu –
Somente

Ironia do destino me largar em minhas mãos
Sempre irresponsável, nunca muito são
Mas minha mente com esse tempo mudou
Eu não era mais quem eu sou... – quem diria –
E eu que achava que tinha aprendido
Da vida e suas ironias

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sabe

Sabe quando bate o sono
No relógio, bate a noite
Na janela, bate a chuva
Lá na alma, fica o gosto
Do que se viveu

Sabe quando bate a saudade
Naquele cheiro, tem a dor
Daquela perda, vem o vento
Daquele dia, e por um momento
Traz de volta a alegria

Sabe quando vem o cheiro
No fim da tarde, tem o gosto
De um dia inteiro, sente o barulho
Do coração, e o toque
Do não poder tocar mais

Sabe quando vem a lucidez
Durante o sono, faz a mente
Ficar sã e a gente sente, sem saber
Aquela louca vontade de escrever
Sabe

domingo, 24 de janeiro de 2010

O bar

Meu amigo, sente aí, vamos beber
Rir da vida alheia e esquecer que a nossa é feia
Lembar do que passou como se não fosse longe
Fingir que hoje é o fim do erro de ontem
Falar das incertezas tristes do dia-a-dia
Jogar nossas dúvidas na mesa
E gargalhar em sintonia

Meu amigo, deixa eu te escutar
Hoje somos só eu, você, o bar e a lua
Vou sair da minha vida e entrar um pouco na tua
Me conta dos seus dias, não tem problema
Tô precisando mesmo de um pouco de inocência
Pode confiar em mim seus erros, sou fiel
Não é só contigo que a vida é cruel

Meu amigo, deixa eu te dizer
O quanto é bom sentar aqui, e esquecer
Brindar no copo nossas lágrimas diárias
E beber no mesmo nossas alegrias raras
Amigo, meu relógio diz que está acabando o tempo
Agora estamos prontos pra continuar vivendo
O que será? Não sei... Te conto no bar
Daqui a um mês

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Por hoje

Hoje meu coração quer escrever alto
Mas eu estou baixo, cabisbaixo
Então sussurro um poema , e esqueço
Assopro uma rima, adormeço
Rimo no silêncio, velejo
No que poderia ser
Mas não é

Hoje minha mente quer fazer seu trabalho
Mas quero um tempo, só um tempo
Para pensar em branco, tranquilo
Escutar meu ser, fingindo
Ser esse o som de sua voz
Mas não é

Hoje meu corpo quer correr até o topo
Mas eu estou fundo, bem fundo
Quem sabe amanhã, ou depois
Eu tomo um rumo... Hoje não
Sento no canto, e me rendo
Finjo que hoje não sou
Mesmo sendo

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Quem dera fosse...

Quem dera o dia fosse sempre sol, faria
Do meu quarto lar dos seus raios, seria
Minha alma copo, e transbordaria
Eternos sorrisos sinceros

Quem dera problema fosse vento, levaria
Junto com ele as decepções, e secaria
Na sua partida a minha lágrima, lavaria
E curaria meu coração

Quem dera palavra fosse música, deixaria
Frases tristes ao som de blues, cantaria
Seus acentos, choraria sua ortografia
Fazendo disso samba ou outra melodia

Quem dera saudade fosse carro, mandaria
Buscar minhas lembranças boas, apagaria
Meu passado manchado, te salvaria
Do fundo da minha mente, e te traria
Pra perto de mim, hoje
Quem dera fosse...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Tudo o que eu tenho

Tudo o que eu tenho é a palavra
Doce canção carregada de sementes
Brisa suave que em dia frio vem quente
Ao pé do seu ouvido, regando sua mente

Tudo o que eu tenho é a palavra
Abrigo seguro, uso-as em vão
Controladas, contadas, sintonizadas
com as batidas do seu coração

Tudo o que eu tinha era a palavra
Vulnerável, entreguei-a como alma
Ah, desde então da palavra sinto falta
Em você a vi amarga, arma afiada

Tudo o que eu tenho é o silêncio
Fala mas não faz sentido
Chora o erro cometido
Poderia ter sido
Palavras
Sh...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Do amor... Eu ainda não sei

Eu ainda consigo decifrar o velho som do violão,
Velho para o ouvido, sempre novo para o coração
Fecho os olhos e inquietas notas eu vejo
Dançando e me cantando sobre seus desejos

Ainda é fácil pra mim ler um raio de sol
Aquele que entra pela janela, esquenta a alma
Escreve mais uma linha do seu livro matinal,
E sábio me acorda – Viva, vá com calma

Todos os dias, eu ainda converso com a brisa
Ela sopra meus erros, entendo seus conselhos
E o tempo, velho amigo, vem sempre me visitar
Traz com ele suas lembranças, tão fáceis de lidar

Do amor, eu ainda não sei. Me é um estranho
Sempre indo, vindo, voltando, mudando...
Ora fácil de querer, ora difícil de entender
Questione sobre a vida, mundo, sobre o ser
Mas do amor... Eu ainda não sei

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Não quero falar sobre mim

Não quero falar sobre mim
Vamos falar da vida vivida
Dos passos pisados
Do ar respirado

Não quero falar sobre mim
Já percebeu a beleza do simples?
A simplicidade do complexo?
A complexidade do ser?

Não quero falar sobre mim
Vamos falar do mundo lá fora
Que traz e leva embora
E deixa um vazio sem fim

Não quero falar sobre mim
Vamos falar de toda a gente
Que luta, sofre, entende
A diferença entre ser e existir

Não quero falar sobre mim
Vamos falar sobre nós
Do cheiro que tanto me faz falta
Que saudade da tua voz...

Deixe

Meu coração precisava de cura
Em minha alma já não havia doçura
E os ponteiros sutilmente cantavam:
Viva, deixe viver

Em minha cabeça explodiam pensamentos
O mundo distorceu meus sentimentos
E a brisa gelada me gritava
Sinta, deixe sentir

Meu olhos já não viam azul no mar
As minhas certezas estavam fora do lugar
O que antes era isca, agora era anzol
Ainda aproveitei sombra debaixo do sol

As folhas voavam – Passe, deixe passar
O que hoje não faz sentido amanhã já fará
Siga, deixe seguir... Seja, deixe ser
Sábios conselhos que o Amanhã mandou trazer

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Desilusão

Eu o vi abrir os olhos, levantar da cama
Com um sorriso no rosto, apesar do medo
Seu coração transbordava esperança
Mente tão jovem, ainda era cedo

Eu o acompanhei até a porta
Não precisei falar nada, ele sabia
Cabeça erguida, armadura vestida
Não se preocupe – ele dizia

Eu o assisti pela janela, até o longe
Passos de ferro, olhar confiante
Fitei o relógio, orei à vida
Que com ele cruzasse alguma justiça

A noite e ele chegaram em sintonia
E rasgando na chuva seus passos de papel
Me chorou as decepções, as mentiras
E a dor que sentia em enfrentar o céu

Ele perguntava o por quê desse vazio
E falava da dificuldade de manter a alma sã
Eu dizia – Agora você chora a vida,
Mas ela seca seu choro pela manhã

Pela primeira vez

Pela primeira vez tranquei a porta
Desci a janela, e assisti ao mundo
Através daquele vidro
Prefiri não me arriscar

Pela primeira vez, não houve reação
Não esbarrei minha vida em outras
Não ouvi o som da rua, a música
Composta dos sussurros alheios

Pela primeira vez não amei
Não contemplei o fim da tarde
Nem tomei o café do fim do dia
Não chorei ao me despedir do sol

Pela primeira vez não sonhei
Aquela noite foi vácuo, vazia
Assim como aquele dia
E pude enfim
Dormir em paz...

Número 37

Acordo antes do galo cantar
Me visto com a roupa de ontem
E de antes disso também
Saio de casa junto com o sol
E antes disso também

Faço meu trabalho sujo
Carrego o peso da vida
E mais que isso também
Sustento desejos acimentados
E mais que isso também

Eu subo muito alto, entende
Faço dos prédios minhas montanhas
Faço das raras lágrimas meus oceanos
Vou além dos meus próprios sonhos
E além disso, também...

Já são tres e meia, patrão
Me deixa descansar, fazer uma ligação
Me dá mais uns dez minutos,
Vou refletir sobre a vida, deitar e ver o mar
Ver um pouco mais que isso também

domingo, 13 de dezembro de 2009

O Vento e a Vida

O vento passou veloz
Durante aquele dia
Levou com ele as flores
Que eu nunca mais veria

O vento enxugou minhas lágrimas
Levou embora seu cheiro
Foi fazer dele brisa
Em algum outro jardim

O vento embaralhou nossas cartas
Jogou no mar nossos truques
Revelou ao sol nossas mentiras
Colocou à prova nossa vida

A vida passou veloz
Durante aqueles anos
Levou com ela amores
Que eu não mais verei

A vida secou minhas lágrimas
Levou embora suas promessas
Foi fazer delas sonhos
Em algum outro coração...

sábado, 12 de dezembro de 2009

Tentei

Tentei ver sentido aonde nunca teve
Ligar minhas palavras, fazer minha razão
Fazer versos bonitos, frases leves
Colocar nos conectivos o meu coração

Tentei ser sensata, centrada
Ver o mundo de forma banal
Ouvir sons de forma banal
E provar desse amor que ama banal

Tentei me camuflar em um estilo
Me afundar na passarela do cotidiano
Ler o livro já por todos lido
E fugir do que antes eu achava insano

Tentei aquele corte de cabelo
Aquele vestido, aquele espelho
Penetrei tanto na vida do igual
Que até Deus me confundiu com o tal

Tentei ver felicidade aonde nunca teve
Me perdi naquele jardim de flores
Mas que todas tinham as mesmas cores
Perdi de vez minha razão

Tentei procurar minhas velhas palavras
Palavras soltas, palavras raras
Aonde está meu diferencial?
Tudo o que vivo agora é banal
É igual
É normal
Tentei...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Espero...

Meu bem, você reclama
Diz que a vida não chama
E nem sequer se levantou

Voce chora, coração
Diz que a vida está cega
Mas não deixa de olhar pro chão

Anda na rua, esbarra comigo
Não me vê, não me deixa entrar
Mas reclama da solidão

Eu carrego um por-do-sol
Dentro do meu coração
Há tanta luz pra compartilhar

Ha tempos quero te dizer
que a vida é justa, te ajuda
Mas é você que não quer ver

Te espero na porta
Com meus sóis, minhas estrelas
Há tanta beleza pra te mostrar

Meu violão, minha canção
Minha esperança, minha mão
Esperam você cansar
De se esconder da felicidade